A história que hoje te trazemos é digna de um livro ao velho estilo do Tolkien. Realmente a vida às vezes não dá voltas, ela capota.
Então, a parte noticiosa deste texto é que a Costa do Marfim sagrou-se ontem campeã africana, tendo vencido a famosa CAN. Os costa marfinenses venceram a Nigéria de Zaidu, orientada por José Peseiro, por 2-1 no jogo da grande final. Ainda não foi desta que um tuga conseguiu levantar este caneco, já que na edição anterior o Carlos Queiroz também não conseguiu vencer com o Egito.
Troost-Ekong fez o golo nigeriano, respondido por Kessié e Haller, que fizeram os dois tentos dos elefantes.
E é precisamente aqui que tudo começa a ganhar contornos fabulosos. Acompanha-nos, que te contamos tudo no caminho:
Decorria o ano de 2022 quando Haller, o autor do golo vencedor da final, recebeu a notícia que ninguém quer. Acabado de chegar o Borussia Dortmund, foi diagnosticado com cancro nos testículos. Um duro golpe para o jovem que começava a dar os primeiros passos num clube grande europeu. Depois de ter passado por procedimento cirúrgico, voltou aos relvados em Janeiro do ano passado.
O primeiro nunca se esquece
Foi preciso um mês de treinos para que Sebastien Haller marcasse o primeiro golo oficial ao serviço do Dortmund. Num jogo a contar para a Bundesliga, a 4 de Fevereiro, frente ao Freiburg. Coincidência ou não, é neste dia que se celebra o Dia Mundial do Combate ao Cancro.
Questionado sobre o golo nesta final da CAN, o avançado disse que “é uma sensação boa. Finalmente sinto-me um pouco recompensado”.
O caminho sinuoso
Ganhar uma competição tão disputada como a CAN não é pêra doce, mas aqui a história da Costa do Marfim também toma contornos absurdos. Vamos por partes.
Na fase de grupos foi goleada por 4-0 pela Guiné Equatorial. Logo aqui, já deixou de ser uma séria candidata a este título, mostrando-se claramente inferior ao adversário. Foi também nesta altura que a federação tomou uma decisão que viria a ser tanto surpreendente quanto necessária: despedir o selecionador, que no caso era o francês Jean-Louis Gasset. De forma interina, o posto foi ocupado por Emerse Faé.
As duas formações (Costa do Marfim e Nigéria) já se tinham encontrado na fase de grupos e nessa altura os nigerianos venceram por 1-0, na jornada 2.
Com muita vontade e alguma sorte à mistura, a Costa do Marfim conseguiu ser dos melhores terceiros lugares do grupo e passar à fase seguinte.
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O caminho até à final
Nos oitavos de final, o adversário da vez era tudo menos fácil. Apanharam o (na altura) campeão em título Senegal, tendo vencido na decisão por grandes penalidades.
Nos quartos de final foi a vez de defrontar o Mali, com um jogador a menos durante toda a segunda parte do encontro. A perder, os elefantes conseguiram ir atrás e empatar o jogo antes do apito final. No período de compensação acabaram por marcar no último lance do encontro. Épico.
A semifinal foi frente a uma seleção invicta até então, o Congo. Haller, de quem te falamos em cima, foi o herói deste jogo ao marcar o único tento da partida.
A final, como já te contamos também, deu vitória para os marfinenses por 2-1 frente à Nigeria, com Haller a ser mais uma vez fundamental, ao marcar o golo da vitória.
Adingra’s assist to set up up Haller for Ivory Coast’s winner #AFCON2023 pic.twitter.com/x7ccd2ZrZK
— Eric Njiru (@EricNjiiru) February 12, 2024
Depois de 1992 e 2015, a Costa do Marfim volta a vencer esta competição. O Egito continua a ser a formação mais vitoriosa, com 7 CAN’s na bagagem.
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TNT Sports BR[/caption]

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